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6 maneiras de detectar “Fake ESG”

Fonte: Época Negócios

Para quem trabalha com sustentabilidade faz tempo, é impressionante ver quantos especialistas em ESG de repente têm no LinkedIn. São empresas que declaram que “ESG está no nosso DNA”. Com o apurado olhar do mercado financeiro para questões sociais, ambientais e de governança, parece que todas as companhias sempre tiveram essa preocupação. O leitor crítico se pergunta: Por que, então, confrontamos tantos desafios ambientais e sociais causados pela atividade econômica? A conta não fecha!

Neste sentido, o “Fake ESG” vem na linha do Greenwashing – quando as empresas começavam a falar de seus produtos amigáveis ao meio ambiente, sem providenciar evidências. Ou do “Bluewashing”, quando as empresas se afiliavam ao Pacto Global das Nações Unidas com apenas declarações e boas intenções.

Falar sem fazer

Frente aos escândalos recentes de racismo, muitas empresas se declaram solidárias com as vítimas. Isso é uma ação muito fácil de executar pela comunicação corporativa. Em casos como esses, vale a pena olhar para as empresas e verificar se elas realmente estão preocupadas com diversidade racial, se têm políticas de inclusão, metas de contratação, diversidade na liderança. Quer apostar? Acredito que 80% das que soltaram uma nota recentemente não passam nesse teste. É fácil falar, mas difícil implementar.

1001 iniciativas desarticuladas

A pressão por se posicionar em ESG começou no ano passado. Assim, você vê muitas empresas que não falam nada sobre impactos ambientais ou sociais antes de 2020. Começam a falar agora porque ESG virou moda e, para recuperar terreno, tentam mostrar que “ESG está no DNA”. Na pressa vale tudo: pintar creche, reciclar copinhos de plástico ou doar máscaras para proteção contra a covid-19. Não quero dizer que essas iniciativas não valem – são muito necessárias para começar a jornada de ESG e ajudar o Brasil a passar pela pandemia. Só que elas não têm nada a ver com o negócio e com os critérios que os investidores aplicam para avaliar os riscos sociais, ambientais e de governança que seu negócio confronta. Apresentar muitas iniciativas também mostra que a empresa não tem prioridades, o que me leva ao próximo ponto.

Falta de prioridades

A liderança de uma empresa “Fake ESG” não providencia respostas claras à pergunta: “Quais são os temas sociais e ambientais mais relevantes para o negócio?” Um conselheiro vai apontar a educação, o diretor financeiro fala de mudanças climáticas (porque isso é o que todo investidor internacional quer saber) e a diretora de RH fala de diversidade. Cada um puxa para o seu lado.

Falta de estratégia

Empresas sérias em ESG definem prioridades. Uma vez que a liderança esteja alinhada, começam a medir os desempenhos social e/ou ambiental, colocam os indicadores nas metas, desdobram as metas na compensação variável dos executivos e, quem sabe, recebem financiamento privilegiado com um social impact bond, como aconteceu com a Suzano, que lançou em junho de 2021 o primeiro título de dívida da América Latina com compromisso de diversidade. Empresas “Fake ESG” não têm essa consistência e suas metas são 100% financeiras. Aí me pergunto: Quem vai entregar um desempenho social e ambiental melhor?

Só noticia boa

Finalmente, empresas “Fake ESG” só têm coisa boa para dizer. Não relatam eventuais problemas (que toda empresa tem), não mostram indicadores de que estão piorando numa série histórica e não publicam nenhum relatório de sustentabilidade. E, se publicam, certamente é sem auditoria independente.

ESG não está no negócio

Esse critério para mim é matador. Empresas “Fake ESG” não conseguem apontar produtos e serviços no portfólio com diferenciais em sustentabilidade. Provocados com a pergunta “Qual de seus produtos é mais sustentável que o da concorrência?”, não conseguem responder. Consequentemente, não ganham seu dinheiro com um modelo de negócio que esteja mais sustentável para justificar que “ESG está no DNA da empresa”. Aí precisam admitir que ESG é algo periférico.

No final, algumas perguntas para sua reflexão. Pensando em empresas “Fake ESG”, quais você destacaria? A sua empresa está na lista? E como ajudar essas empresas a entender que precisam trabalhar ESG de forma mais estruturada antes de soltar qualquer comunicação?

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