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Avanço na agenda sustentável exige o envolvimento de todos os níveis da empresa

Fonte: Estadão

Empresas de todos os ramos e portes precisam cada vez mais internalizar como cultura organizacional as questões socioambientais pois é isso que vai garantir a sobrevivência e o lucro de seus negócios no futuro. Essa foi uma das conclusões do painel que discutiu o desafio da governança socioambiental e as soluções sustentáveis no mundo corporativo como parte da Conferência Brasil Verde 2021, realizada pela Estadão.

Em suas apresentações, executivos do Bradesco, da Minerva Foods, da Grape ESG e do Youth Climate Leaders (Lideranças Jovens para o Clima) concordaram que o primeiro passo para o desafio da agenda sustentável é envolver todo o corpo da empresa, desde o nível mais alto até o  “chão de fábrica” por meio de criação de conselhos, diretorias executivas, comitês e grupos de atuação para desenvolver estratégias de forma transversal.

Cada um deles falou de suas experiências e linhas de atuação. Taciano Custódio, diretor de sustentabilidade da Minerva Foods, comentou a estratégia da empresa de monitoramento de toda a cadeia de fornecedores diretos da empresa para acompanhar compromissos contra desmatamento ilegal e proteção às terras indígenas e ao meio ambiente.

A empresa adotou tecnologia de sensoriamento remoto, tecnologia geográfica e obteve os melhores resultados entre os grandes competidores nesse campo em auditoria do Ministério Público Federal. “Hoje, temos mais de 14 milhões de hectares monitorados (fornecedores de gado) em todo o Brasil”, informa Custódio. A empresa opera em 100% da cadeia brasileira e em outros países em que atua, diz ele.

“Até 2030 teremos todos os países da América do Sul também monitorados 100%”, afirma o executivo da Minerva. Os elos indiretos, que são os criadores de gado, recebem consultoria da empresa sobre manejo de pasto, cuidado com o solo, que se traduzem em sustentabilidade da ocupação territorial.

Projeto rejeitado

A gerente de sustentabilidade do Bradesco, Fabiana Costa, explicou como o banco age para priorizar empréstimos e investimentos para empresas que seguem os critérios de ESG. Segundo ela, há uma classificação de rating sócio ambiental dos clientes. “Temos um departamento focado em risco ambiental e governança e toda identificação de algum potencial assunto controverso de um cliente que possa trazer algum risco para a imagem do banco, e principalmente para a sociedade, é avaliado e o projeto é rejeitado.”

“Coletar resultados dessas práticas é algo de médio prazo e se a empresa não estiver comprometida vai abandonar o processo no meio do caminho”, avalia Ricardo Assumpção, da Grape ESG, ao comentar sobre as empresas terem de abrir mão de um lucro de curto prazo e obter melhores resultados mais à frente.

O papel da Grape, explica ele, é mostrar como a empresa consegue, com a transição para a economia de baixo carbono, resolver problemas estruturais – inclusive do País – e ter benefícios. “É ensinar a empresa a integrar o sistema na sua cadeia de valor, um trabalho que envolve consultoria e estratégias que não sejam só de gaveta, para cumprir por tabela.

Para Assumpção, todo grupo que mira a sustentabilidade acerta na inovação. Segundo ele, sempre há processos melhores para ser mais eficiente, como utilizar menos produtos químicos no processo produtivo e cada vez mais produtos que não precisam ser retirados ou substituídos com frequência usando mais a economia circular.

Juventude tem pressa

Com a juventude cada vez mais antenada e interessada no tema ESG, o Youth Climate Leaders treina e conecta jovens para trabalharem em áreas de sustentabilidade. “Os jovens estão sendo conscientizados dessa problemática mas não sabiam o que fazer”, justifica Cassia Moraes, CEO da entidade que conecta redes similares de mais de 20 países.

No Brasil, a rede já reúne mais de 500 jovens que participam de cursos e ações sobre estratégias e oportunidades, sejam para voluntariado ou para seguir carreira na área. Cassia afirma que a meta é chegar a 1 milhão de jovens envolvidos até 2030. “Os jovens demandam mudanças mais rápidas”, diz ela, acrescentando que as empresas que quiserem ter em seus quadros os melhores profissionais terão de se comprometer com projetos de carbono neutro.

“Usamos hoje 70% a mais de recursos naturais do que a terra consegue repor, ou seja, se tivéssemos uma cota anual do que a gente pode retirar do planeta e que ele consiga repor de volta para a gente, essa cota anual teria acabado em agosto e, daí para frente, seria cheque especial, pois já estamos no vermelho”, diz Assumpção, da Grape, para quem a  tendência  é conseguir cada vez mais usar menos energia e menos recursos naturais.

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