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O que é economia étnica?

Fonte: Diário do Comércio

Por economia étnica se entende o conjunto de movimentações econômicas de imigrantes e minorias étnicas instaladas (alocadas) em comunidades em país que não é o seu de origem. Para se considerar a existência de uma economia étnica em um determinado contexto, faz-se necessário que se identifique um grupo de imigrantes ou de minorias étnicas. No caso da população negra do Brasil, o que encontramos são descendentes de um movimento diaspórico, que fez com que houvesse uma ocupação de um espaço estrangeiro, diferente do país de origem.

Além disso, é necessário se verificar a construção de uma dinâmica integrativa e solidária entre os membros deste grupo. Neste sentido, tanto as práticas que visam difundir e fortalecer o afroempreendedorismo, quanto aquelas atreladas ao movimento ideológico e pragmático do Black Money, podem ser enquadradas como estratégias de consolidação no Brasil de uma economia étnica, que pretende se fazer robusta e consistente.

Então, quando negras e negros empreendem pode se falar aqui em uma economia étnica porque se tem estratégias voltadas especificamente para grupos étnicos, usurpados de sua identidade territorial e mutilados culturalmente. Mas que buscam através de uma rede de empreendimentos, tecida por meio de integração, solidariedade e promoção de circulação de riquezas entre seus membros, fortalecer a comunidade para que esta ocupe outros espaços, provoque fissuras em estruturas tradicionalmente moldadas e rompa com dinâmicas racistas e ultrapassadas, que só servem para preservar uma cultura colonial e supremacista branca.

A economia étnica materializada através do afroempreendedorismo e do Black Money pode contribuir muito para o enegrecimento do mercado. Para que tal ocorra, porém, é necessário que negras e negros tenham oportunidades de empreender de modo mais aprimorado, e não somente por necessidade. É vital que negras e negros tenham oportunidades de empreender e de se deslocar na pirâmide social, gerando riquezas para si e à sua volta. É aí que entra a importância do movimento do Black Money. Mesmo que este não possa ser igualado aos moldes em que é visto nos EUA, sua implementação é benéfica por produzir impactos sobre o ato de empreender realizado por negras e negros. Uma coisa está ligada a outra. Quanto mais bem sucedidas sejam as estratégias do Black Money, maiores as oportunidades para que negras e negros possam empreender.

Não há como negar que o afroempreendedorismo e o Black Money aparecem como estratégias que promovem interconexões entre circuitos, modificando a dinâmica perpetuada desde o período colonial. Enegrecer o mercado, então, conforma um movimento, acima de tudo, altamente político que reacende a chama do debate por igualdade de oportunidades, meritocracia e valorização da negritude. Daí, em muitos momentos, encontrar fortes opositores, que lutam por manter privilégios e domínios sobre territórios preservados intocados por pés negros. Através do afroempreendedorismo e do Black Money negras e negros soerguem-se e forçam sua mobilidade promovendo mais que um enegrecimento do mercado, mas sim um enegrecimento de espaços até então inalcançáveis por estes grupos na pirâmide social.

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